quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cineclube LGBT se despede por falta de verbas



Em junho de 2008 ocorreu a primeira edição do Cineclube LGBT, no Cine Odeón, na Cinelândia, no Centro do Rio. No mesmo mês, em 2012, quando o evento comemora seu quarto aniversário, ocorre também sua edição de despedida: por falta de verbas, a mostra de curtas com temática gay deixará de ser exibida.

O Cineclube LGBT ocorria na noite da última sexta-feira de cada mês. Curtas-metragens eram exibidos e, em seguida, uma festa, dentro do próprio Cine Odeón, dava continuidade à noite do público da sala de cinema. O organizador do evento Aleques Eiterer, de 40 anos, explicou que o baixo público e falta de patrocínio levaram ao fim – temporário – do evento.

“No começo, a gente conseguia se manter com a bilheteria [do dinheiro arrecado]. Porque metade da bilheteria era nossa, metade era do inema. Depois, a Petrobrás entrou com o apoio, que pagava os custos do cineclube, basicamente. No começo deste ano para cá, não tem mais Petrobrás, a gente não tem mais esse apoio porque o cinema todo ano renegocia esse apoio. Esse ano ele ainda está em negociação”, disse Eiterer.

Para se produzir o Cineclube no Cine Odeón, é necessário um número mínimo de ingressos vendidos para custear o valor do aluguel da sala. Nas últimas sessões, o baixo público não rendeu o custo do evento. Sobrou para o bolso da Aleques.

“Não está dando para pagar as contas. Meu custo médio para produzir o Cineclube é uns R$ 2 mil por sessão, porque eu pago o DJ, o som. Mês passado eu tive um prejuízo de quase R$ 1 mil”, disse Aleques.

O produtor do Cineclube também tentou conseguir apoio de entidades públicas municipais, estaduais e federais. No entanto, não teve um retorno para manter o evento.
 

Espaço para curtas
Em quatro anos de evento, pouquíssimos curtas foram exibidos mais de uma vez – exceto em uma edição especial, em que foram apresentados os melhores curtas, eleitos pelo público. Pelos cálculos, ao menos 200 curtas foram projetados na tela do Odeón. Eiterer produz outros dois eventos: o Festival Brasileiro de Cinema Universitário, no Rio, e o Primeiro Plano, em Juiz de Fora – sua cidade natal – em Minas Gerais.

“Eu vejo muita coisa por conta dos festivais que eu faço, e eu estou sempre ligado, sempre procurando na internet. Estou sempre ligado nos filmes e pedindo para as pessoas enviarem”, explicou o juiz-forano.

Para Aleques, a visibilidade de curtas-metragens é pouca no Brasil. Se a temática é gay, isso se torna mais difícil, ainda que haja festivais que tenham a diversidade sexual como tem.

“Além de trabalhar com festivais de cinema, com realização de filmes, eu realizo curtas também. Eu sei como é difícil exibir um curta-metragem. A gente fica muito restrito aos festivais, mostras. Como está cada vez se produzindo mais ainda, exibir é mais difícil ainda”, revelou.

Foi pensando em um espaço para a apresentação desses filmes que surgiu a idéia da criação do Cineclube LGBT. Mas foi só depois de um ano de negociação com o Grupo Estação, responsável pelo Cine Odeón, que Aleques conseguiu organizar o evento.

Presente de despedida
O documentário "O Direito de Amar" será exibido na
sexta (Foto: Divulgação)
Antes que os frequentadores do Cineclube fiquem órfãos, o produtor da mostra vai trazer uma tema especial para a despedida, que é também o mês do Orgulho Gay. A comemoração conta com a presença do deputado federal Jean Wyllys,  que promove a campanha pelo casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

A partir de uma parceria com o Rio Festival de Cinema Gay, o longa “O Direito de Amar” (The Right To Love), documentário de Cassie Jaye, será exibido. O filme faz um panorama da luta da sociedade LGBT para legitimar a igualdade no casamento, entre outros direitos civis, nos Estados Unidos. Isso a partir dos desafios enfrentados por um casal de gay da Califórnia e seus dois filhos adotivos.

O Festival Internacional de Cinema Feminino, o Femina, também apoiará a última exibição do Cineclube LGBT. Dois curtas da mostra serão exibidos na sexta-feira (29), no Odeón.

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