A cidade do Rio de Janeiro foi eleita por dois anos consecutivos - 2010 e 2011 - o melhor destino gay do mundo, em um concurso promovido por um portal de turismo LGBT. Com 48% dos votos, Rio superou Madri (Espanha), Estocolmo (Suécia), Portland (Estados Unidos) e Saint Tropez (França). Quando fiquei sabendo dessa notícia, me pareceu um pouco óbvio, afinal, o Rio gay! Engano meu. Deles. Ou nosso.
Sempre achei que a capital carioca fosse muito receptiva ao público LGBT, afinal, basta andar a noite pela Lapa, no Centro do Rio, para ver travestis, meninos com meninos e meninas com meninas trocando carícias ou até mesmo se beijando. São vários os pontos de encontro gay: boates, festas, bares...
Minha opinião mudou completamente quando conheci São Paulo. Eu poderia gastar textos e textos para falar bem da cidade, mas, ao que cabe ao Baixo Fundo, vou me ater a questão LGBT. Não se trata de uma crítica ao Rio, mas de um elogio a São Paulo. Cheguei a escrever uma nota sobre uma campanha para promoção da dignidade transexual em Sampa. Achei a iniciativa importante, mas não sabia o poder que ela tinha.
Ao desembarcar do metrô de São Paulo (que já dá um banho no transporte no Rio, seja na educação dos passageiros ou na qualidade do serviço) me deparei, inúmeras vezes, com uma cena curiosa: casais homossexuais andando de mãos dadas. E a situação não se repetiu uma vez só. O curioso não é o fato de os gays assumirem publicamente uma relação, mas o fato de as outras pessoas não olharem com desdém.
Em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, considerado o “bairro gay da cidade”, nunca me deparei com isso. Ok, é fácil definir quem é e quem não é pelas ruas da região, mas ainda que um casal ande de mãos dadas (o que é raro), todos vão olhar e comentar, isso se não disserem algum desaforo.
Já na capital paulista, nos três dias que passei lá, não vi isso acontecer. Nesse intervalo, vi mais casais gays do que já vi no Rio, fora de “áreas gay-friendly”. Casais andam despreocupados na praça, no shopping, nas ruas, no mercado, no metrô. Podem demonstrar carinho em público, como qualquer casal heterossexual faz.
O mais engraçado é que o clima de pegação não é o mesmo que no Rio. Claro, vi rolar algumas vezes, mas não com a mesma frequência e “intensidade” que ocorre entre os cariocas.
E houve boatos que o Rio é a melhor cidade gay do mundo.
*Editor coordenador de conteúdo do portal Baixo Fundo
*Editor coordenador de conteúdo do portal Baixo Fundo
Curti e me deu vontade de conhecer São Paulo!
ResponderExcluirIsh guri, espero que realmente São Paulo tenha ficado assim, as últimas temporadas que fui para lá (e já faz um tempinho), via muito essa demonstração pública em época de feriadão e tal. No dia a dia, via muito em focos e trechos. Próximo a bares gay-friendlys e boites. No Rio, principalmente andando pela zona sul, você pode ver que ainda não é uma coisa dita "normal" ver os casais assim, mas cada dia é mais comum. Trabalho em shopping e cada vez mais vejo casais andando de mãos dadas e curiosamente, não vejo o pessoal olhando como se fosse aberração. Em Ipanema e Copa, os casais também estão lá, pontuando sua relação, talvez de forma não tão gritante, mas estão. Outro dia, quando fui visitar minha mãe, vi um casal gay na praça (é, na praça!) de mãos dadas olhando uma menininha de aproximadamente 5 ou 6 anos. Os rapazes embora estivessem sentados um pouco mais distante das outras mães estavam de mãos dadas conversando e a menina brincava com seus amigos e vira e mexe voltava pra falar com o casal, talvez tio, ou mesmo "pais" e voltava rindo. As outras mães próximas não demonstravam cara feia e conversavam naturalmente. Fiquei sentado ouvindo música uma meia hora, vendo a cena, vi pessoas passando com cachorro e nem olhando para o casal, vi outros casais gays passando, até o policial cumprimentou eles, como fez com todos os outros pais da praça. Talvez a gente procure ver casal igual na novela se atracando em beijo no meio da rua, isso eu realmente ainda não vi. Mas as mãozinhas dadas... ah, isso eu vejo até no metrô que vai pra pavuna!
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